14 março 2017

Resenha: Belleville


Belleville
Felipe Colbert
Editora: Novas Páginas
“Se pudesse, Lucius aterrissaria em 1964 para ajudar Anabelle a realizar o grande sonho do seu falecido pai, e, de quebra, ajudaria a moça a enfrentar alguns problemas muito difíceis, entre eles resistir à violência do seu tio Lino. Claro que conhecer de perto os lindos olhos verdes que ele viu no retrato não seria nenhum sacrifício...
Sem conseguir explicar o que está acontecendo, Lucius inicia uma intensa troca de correspondência com a antiga moradora da casa para onde se mudou. Uma relação que começa com desconfiança, passa pelo carinho e evolui para uma irresistível paixão – e para um pedido de socorro...”


Comprei esse livro na Bienal do Livro de Minas Gerais que aconteceu no ano passado por dez reais, eu já conhecia o livro pela capa, que chamou muito a minha atenção, mas não sabia muito bem do que se tratava. Esse ano resolvi dar uma chance para a leitura, que acabou não sendo tão animadora como eu esperava.

A história se passa em Campos do Jordão, o livro intercala a narrativa de Lucius e Anabelle entre os capítulos, essa é uma característica que eu adoro em livros, conhecer a história por dois pontos de vistas diferentes. No início acreditei que esse seria mais um romance adolescente clichê, mas o ponto alto da história é que 50 anos separam os dois garotos, que vivem na mesma casa, em anos diferentes. 

Lucius é um garoto comum de 20 anos, nunca foi popular, nunca teve sucesso com as mulheres, e nunca chamou a atenção de ninguém.  Ele possui uma ligação diferente com seu pai, que ainda sofre muito com a perda de sua mulher. O garoto acabou de se mudar sozinho para Campos do Jordão para cursar faculdade de Matemática, e com o dinheiro limitado, Lucius foi morar em um casarão que ficava afastado do centro da cidade, que, apesar de ser bem aconchegante, precisava de uma grande reforma.

Curioso com sua nova moradia, Lucius resolve conhecer um pouco mais seu novo lar, e vasculhando uns livros antigos da biblioteca, ele encontra uma fotografia antiga de uma garota muito bonita segurando uma caixa, que parecia ter sido tirada naquela mesma casa anos antes. Curioso, o garoto resolve ir ao quintal da casa o procurar pelo local onde a fotografia foi tirada, e, acaba encontrando enterrada ao lado de um pilar, a caixa com uma carta dentro. 

A carta datada em 1964 é um pedido de ajuda para a realização de um sonho, Anabelle pedia ao futuro morador que ajudasse a construir uma montanha russa, projeto que seu pai criou quando ainda era vivo para presentear a menina. 

Anabelle está passando pelo pior momento de sua vida, ela perdeu seus pais e agora vive sozinha em sua casa tendo apenas a companhia de seu gato Tião. Com o pouco dinheiro que seu pai deixou antes de falecer, a menina tem se virado para sobreviver. Seu único sonho é dar continuidade no desejo de seu pai, e com isso ela resolve escrever uma carta com esperança de que em um futuro, alguém consiga realizar esse pedido. 

Lucius de início acha a ideia completamente fora de seu alcance, um pobre garoto que acaba de mudar para a cidade, sem dinheiro, sem amigos, construir uma montanha russa no quintal de casa, então resolve responder a carta, pedido para que o futuro morador ajude Anabelle e seu pai nesse sonho. 

Estranhamente Anabelle encontra a carta que Lucius respondeu, e achando que era uma brincadeira de mau gosto, já que a carta estava datada no ano 2014, responde de uma forma curta e grossa. O ponto alto da história é a comunicação dos dois moradores da casa, que vivem em anos diferentes, mas que resolvem ajudar um ao outro, criando laços amorosos. 

Infelizmente eu não consegui ter nenhuma conexão com nenhum dos dois personagens principais, achei algumas atitudes que eles tomaram não fazem sentido na vida real, o que torna a história um pouco chata. Meu sentimento ao ler o livro era de que o autor não sabia como é viver sozinho com tantas responsabilidades, e criou uma história onde as coisas parecem ser fáceis e simples demais, como foram contadas no livro. 

O livro traz uma carga emocional muito forte, fiquei muito surpresa com o rumo que a história tomou no final, e achei interessante o desenrolar, mesmo o autor insistindo com um roteiro onde as coisas simplesmente acontecem como num passe de mágica. É um livro legal para passar o tempo, a premissa é muito interessante mas para mim ficou um pouco forçado, uma boa história mas mal contada. 

Livro no Skoob: Belleville
Nota: 


16 fevereiro 2017

Resenha: H Potter e a Criança Amaldiçoada

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada
Jack Thorne, John Tiffany e J. K. Rowling

Tradução: Anna Vicentini
Editora: Rocco
“Sempre foi difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar. Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.”

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada é uma peça de teatro de duas partes que foi escrita por Jack Thorne e John Tiffany, baseada na história de J.K. Rowling. Fiquei muito empolgada pela leitura quando a Rocco anunciou que iria lançar o livro no Brasil, mas como não consegui o livro assim que foi lançado, acabei vendo inúmeros comentários criticando a obra e fiquei com um pé atrás. Por sorte acabei ganhando o livro, foi uma das leituras mais rápidas que fiz recentemente, pois a história me prendia o tempo todo e não conseguia largar. 

Dezenove anos depois dos acontecimentos do sétimo livro, agora temos o segundo filho de Harry Potter, Alvo Severo Potter, como protagonista da história. Escolhido pelo Chapéu Seletor para fazer parte da casa Sonserina, Alvo sofre muito em seu primeiro ano em Hogwarts, ele se sente pressionado por ser filho de Harry e sobrecarregado em ter nomes tão importantes do mundo bruxo, ele acaba se tornando uma criança solitária, seu único e melhor amigo é Escórpio, filho de Draco Malfoy, e suas atitudes fazem com que seu relacionamento com seu pai não seja muito bom. 

Entre os problemas pessoais de pai e filho, o Ministério da Magia descobre que alguém está tentando produzir novos vira-tempo, que foram proibidos ainda na época de Harry. Hermione, agora Ministra da Magia, e Harry, que também trabalha no Ministério, conseguem pegar o vira-tempo que foi apreendido, mas invés de destruí-lo, eles acabam guardando a peça. 

Amos Diggory, ainda inconformado com a morte de seu filho Cedrico no Torneio Tribruxo, vai atrás de Harry para saber se os boatos de que um vira-tempo tinha sido apreendido são verdadeiros, implorando para que Harry volte ao passado e salve seu filho, pois ele acredita que isso é o certo a ser feito, já que seu filho morreu em uma batalha que não fazia parte. 

Alvo escuta a conversa e decide ajudar Amos, ele resolve roubar o vira-tempo apreendido e voltar no tempo, podendo assim se afirmar como um grande bruxo, ajudando um pai que perdeu seu filho injustamente. Ele convence Escórpio de se juntar nessa aventura, mas sua decisão de alterar o passado pode trazer sérias consequências.

Eu acho bem interessante histórias sobre viagens no tempo quando elas são bem desenvolvidas, gostei da forma em que foi trabalhada nesse livro, e confesso que durante a leitura eu me lembrei muito de Flash e suas alterações no tempo, onde todas as modificações resultava em sérias consequências no presente. Com as crianças não foi diferente, a cada tentativa de fazer o certo, elas acabavam causando inúmeros problemas, mexendo com um passado muito assustador onde um bruxo das trevas queria dominar o mundo da magia. 

Gostei muito dos personagens que nos foi apresentado nessa nova história, apesar de Alvo ter uma personalidade forte, gostei da amizade que ele criou com Escórpio. Ao longo da narrativa podemos perceber como eles são apenas duas crianças inocentes, assim como Harry foi no início da sua jornada. Escórpio é sem dúvidas o ponto alto desse livro, o personagem é muito carismático, nunca imaginei que falaria que um Malfoy é meu preferido! 

O ponto fraco do livro pra mim foram os personagens já conhecidos, não consegui ter a ligação com Harry, Rony, Hermione e Gina como tinha nos livros escritos pela J.K., senti uma diferença que chegou a me incomodar na personalidade deles, entendo que agora eles são adultos, mas em alguns momentos pareciam que eram outras pessoas, já Draco eu achei muito bem construído como uma pessoa madura. 

Foi a primeira vez que li um livro em forma de uma peça teatral, apesar de não ter todos os detalhes descritos como somos acostumados, achei bem interessante esse formato, torna a leitura mais rápida. Várias vezes me peguei imaginando a peça sendo reproduzida em um palco ao ler alguma descrição de cena e cenário.

No geral eu achei a história bem divertida, gostei muito de poder viajar no mundo mágico do Harry Potter novamente. Assim como muitos fãs, não considero este o oitavo livro da série, mas sem dúvidas é um spin off muito gostoso de ler que conquistou meu coração!  

Nota:




06 fevereiro 2017

#ParaVer - Desventuras em Série

 
É claro que eu iria falar sobre essa série aqui no blog, um dos motivos por eu ter escolhido Desventuras em Série como tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso na faculdade foi o fato que a Netflix estava produzindo uma série sobre, esse foi o gancho mercadológico que determinou minha escolha final, e eu fiquei muito realizada por ter trabalhado com esse tema. 

Os livros são cativantes, os personagens são bem construídos e a narrativa é maravilhosa, Lemony Snicket nos conta uma história de muita tristeza de uma forma incrível! Confesso que conheci Desventuras em Série através do filme, que eu me apaixonei de verdade, depois de muito tempo resolvi ler os livros e fiquei ainda mais encantada com essa desventura. É triste falar, mas eu ficava fascinada a cada tragédia que lia ao longo dos treze livros e acabei devorando toda a história em busca de respostas para todos os mistérios. 

A primeira temporada da série conta a história dos quatro primeiros livros, sendo dois episódios para cada livro, que já foram resenhados aqui: Mau Começo, Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral

A fotografia, a trilha sonora e o roteiro estão maravilhosos, mas para mim o que mais gostei foi a caracterização de cada personagem, que estão em sua maioria bem fiéis ao livro, destaque especial para todos os disfarces do conde Olaf, amei amei amei demais! Estou ainda mais apaixonada pela Sunny depois da série, com as caras e bocas, todas as falas diretas e toda sua importância. Achei a atuação de todos os personagens muito boa, principalmente das mulheres de cara branca. 

Claro, que como toda adaptação, tiveram partes que foram alteradas, personagens adicionados, cortes de cenas, senti falta de algumas coisas, mas no geral eu achei a série muito bem produzida, ficou melhor do que eu esperava! Era óbvio o uso de computação gráfica para muitas cenas, incluindo as com a Sunny, mas achei que ficou ideal para representar tudo que a personagem passa nos livros, até porque, é um livro que mistura muito o real do fantasioso.

Uma curiosidade é que Daniel Handler, o criador de Desventuras em Série, foi um dos produtores executivos da série e fez uma participação especial como um vendedor de cabeças de peixe no Lago Lacrimoso.

Li comentários de pessoas que acharam a série meio lenta ou a forma como é contada chata, eu sou suspeita para falar pois amo muito esse universo, mas não deixe que esses comentários te desanimem, pois essa é sim uma história triste e melancólica, sendo assim devo alertar que “every single episode is nothing but dismay, so look away!

Sinopse: 
Baseada na coleção campeã de vendas do escritor Lemony Snicket (também conhecido como Daniel Handler), Desventuras em Série conta a trágica história dos irmãos Baudelaire – Violet, Klaus e Sunny – órfãos sob a guarda do terrível Conde Olaf, que fará de tudo para colocar as mãos na herança das crianças. Os irmãos precisam constantemente despistar Olaf, frustrar seus planos malignos e investigar a misteriosa morte de seus pais.

Elenco:
Neil Patrick Harris como Conde Olaf
Patrick Warburton como Lemony Snicket
Malina Weissman como Violet Baudelaire
Louis Hynes como Klaus Baudelaire
Presley Smith como Sunny Baudelaire
K. Todd Freeman como Sr. Arthur Poe
Joan Cusack como Justice Strauss
Aasif Mandvi como Tio Monty
Alfre Woodard como Tia Josephine
Usman Ally como Homem com mãos de gancho
Catherine O'Hara como Dra. Georgina Orwell
Don Johnson como Senhor
Rhys Darby como Charles
Sara Canning como Jacquelyn

Trailer: